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Brasil

Vigitel mostra que obesidade dobrou no Brasil em quase duas décadas

Por Diego Rodríguez Velázquez07/07/20264 Min de leitura
Vigitel mostra que obesidade dobrou no Brasil em quase duas décadas
Vigitel mostra que obesidade dobrou no Brasil em quase duas décadas

Levantamento do Ministério da Saúde aponta 6 em cada 10 brasileiros com excesso de peso e motiva nova estratégia nacional de prevenção.

Um novo retrato da saúde da população brasileira acaba de reforçar um alerta que especialistas já vinham fazendo há anos: o excesso de peso deixou de ser exceção para se tornar realidade da maioria dos adultos no país. A pesquisa Vigitel, divulgada pelo Ministério da Saúde, traz números que ajudam a entender uma dúvida comum entre quem acompanha o tema: afinal, o problema realmente piorou nos últimos anos, ou trata-se apenas de mais atenção dada ao assunto? Os dados respondem de forma direta, mostrando um crescimento consistente da obesidade desde 2006, acompanhado de mudanças relevantes nos hábitos de sono, alimentação e atividade física da população.

O que os números do Vigitel revelam sobre o peso dos brasileiros

Segundo o levantamento, em 2024 o percentual de brasileiros com excesso de peso chegou a 62,6%, contra 42,6% registrados em 2006, o que representa um salto de 20 pontos percentuais em 18 anos. A obesidade, definida como índice de massa corporal igual ou maior que 30 kg/m², praticamente dobrou no período, saindo de 11,8% para 25,7% da população adulta, o que equivale a um crescimento de 118%. Na prática, isso significa que uma em cada quatro pessoas adultas no Brasil vive hoje com obesidade, segundo dados do Sistema Nacional de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

O cenário se torna ainda mais preocupante quando o recorte inclui crianças e adolescentes. De acordo com o World Obesity Atlas 2026, divulgado pela Federação Mundial de Obesidade, o Brasil registra quase o dobro de jovens com excesso de peso em comparação com a média mundial. Médicos ouvidos sobre o tema apontam que a obesidade costuma se instalar ainda na infância: cerca de metade das crianças com obesidade se torna adolescente obesa, e a maior parte desses adolescentes carrega a condição para a vida adulta, o que reforça a importância de intervenções precoces, e não apenas de tratamentos voltados a adultos.

Sono, alimentação e deslocamento também mudaram no período

Além do peso, a pesquisa trouxe pela primeira vez dados nacionais sobre sono da população brasileira. O levantamento mostrou que 20,2% dos adultos nas capitais dormem menos de seis horas por noite, e 31,7% apresentam pelo menos um sintoma de insônia, com prevalência maior entre mulheres. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, esse dado chama atenção porque sono de má qualidade tem relação direta com ganho de peso, piora de doenças crônicas e impacto na saúde mental, o que levou o ministério a orientar equipes de atenção primária a incluir perguntas sobre sono no atendimento de rotina.

Outro fator que ajuda a explicar o avanço da obesidade é a mudança nos hábitos de deslocamento e alimentação. A prática de atividade física durante o deslocamento diário caiu de 17% em 2009 para 11,3% em 2024, refletindo o maior uso de transporte por aplicativo e transporte público em detrimento de caminhadas. Ao mesmo tempo, o consumo regular de feijão, alimento tradicionalmente associado a uma dieta equilibrada, recuou de 66,8% para 56,4% no mesmo período, enquanto uma parcela significativa da população relata consumir cinco ou mais grupos de alimentos ultraprocessados por dia.

A resposta do governo e o que muda a partir de agora

Diante desse retrato, o Ministério da Saúde lançou a estratégia Viva Mais Brasil, uma mobilização nacional voltada à promoção da saúde e à prevenção de doenças crônicas. Serão investidos 340 milhões de reais em políticas de incentivo à atividade física, com destaque para a retomada do programa Academia da Saúde, que deve receber 40 milhões de reais ainda em 2026. A proposta busca articular ações já existentes do Sistema Único de Saúde voltadas à alimentação adequada, à prática regular de exercícios e ao cuidado integral da população.

Para especialistas da área médica, os números do Vigitel reforçam a urgência de ampliar o acesso a tratamentos já existentes, incluindo a cirurgia bariátrica, hoje reconhecida como uma das intervenções mais eficazes para casos de obesidade grave. Ainda assim, menos de 1% das pessoas com indicação clínica para o procedimento conseguem realizá-lo pelo Sistema Único de Saúde, o que evidencia a distância entre o diagnóstico do problema e o acesso efetivo ao tratamento no país.

Os dados do Vigitel deixam claro que o combate à obesidade no Brasil depende de mudanças que vão além da escolha individual, envolvendo políticas públicas capazes de facilitar o acesso a alimentos saudáveis, incentivar a atividade física no cotidiano e ampliar o tratamento dentro do SUS. Para a população em geral, o levantamento serve como lembrete de que hábitos simples, como dormir melhor e caminhar mais no dia a dia, seguem entre as formas mais acessíveis de proteger a saúde a longo prazo.

Fontes consultadas:
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-01/estudo-mostra-que-maioria-da-populacao-brasileira-tem-excesso-de-peso
https://www.cnnbrasil.com.br/saude/obesidade-cresce-118-no-brasil-segundo-ministerio-da-saude/
https://jornal.usp.br/atualidades/obesidade-avanca-no-brasil-e-acende-alerta-para-impactos-na-saude-publica/
https://sbcbm.org.br/dados-do-ministerio-da-saude-e-da-sbcbm-reforcam-urgencia-no-enfrentamento-da-obesidade/

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